Este é um tema a ser discutido no momento. Mas o que vem a ser Intergeracionalidade? São metodologias para o trabalho com diferentes gerações.
Qual a importância disso?
“O aumento constante e progressivo da proporção de idosos na população, observado nas últimas décadas, veio transformar o que era considerado um problema familiar em um assunto de interesse político e social. Paradoxalmente, quando a sociedade necessitava de seus idosos para a transmissão oral do conhecimento e da experiência adquiridos ao longo da vida, razão pela qual eram respeitados, eram em número pequeno. O transcorrer dos séculos, o advento do progresso industrial, dos meios de comunicação e dos recursos tecnológicos roubaram dos idosos, agora em grande número, a possibilidade de servirem como depositários da sabedoria, uma vez que o saber não está mais restrito à memória individual mas sim relatado em livros e atualmente, buscado nos computadores.
Na sociedade em que vivemos o processo de envelhecimento biológico é agravado pelo envelhecimento sociológico. Em outras palavras, dos papéis impostos pela sociedade aos seres humanos assim que estes atingem uma determinada idade cronológica. Para BOSI (1979, p.35), ”a sociedade industrial é maléfica para a velhice pois rejeita o velho, não oferece nenhuma sobrevivência à sua obra e afasta-o do trabalho tão logo a sua produtividade diminui, transformando-o na representação mesma da desvalorização do ser humano”, reforçando assim os estereótipos negativos que servem para descrever os indivíduos dessa faixa etária. Felizmente, nos últimos 25 anos a velhice e as questões relacionadas ao envelhecimento, vêm ocupando cada vez mais espaço entre os temas que preocupam a sociedade como um todo. As agências governamentais e as organizações privadas vêm estimulando a criação de trabalhos especificamente voltados para o atendimento integral da pessoa idosa, indicando uma conscientização crescente da sociedade e do governo em relação às questões próprias da terceira idade, termo novo que surgiu como conseqüência do processo de transição demográfica. Nos últimos quarenta anos, os países desenvolvidos, pressionados pela realidade do envelhecimento de sua população, iniciaram um movimento de resgate da cidadania do idoso, estabelecendo lentamente novas relações da sociedade com esta faixa etária. Relações que não são mais baseadas apenas na piedade e na filantropia, mas na nova visão do idoso como ser humano digno de cuidados e de respeito. Com o crescimento da população idosa, torna-se necessário que o conjunto da sociedade tome consciência da série de dificuldades que essa grande parcela da população enfrenta e que as autoridades, encontrem os caminhos que levem à igualdade na distribuição dos serviços. Os países em desenvolvimento, como o Brasil, também vêm acompanhando este processo de transição cultural, lançando um novo olhar sobre a velhice e iniciando um processo de reconhecimento social desta faixa da população, embora ainda mesclado com representações sociais da velhice centradas em aspectos preconceituosos, uma vez que os processos de transformação social são complexos e demorados. Nesse sentido, o poder público brasileiro sancionou este ano o Estatuto do Idoso como forma de garantir os direitos dessa população. No entanto, é preciso, sobretudo, colocar os idosos e os jovens cientes de todos os processos e mudanças que acompanham o desenvolvimento humano como forma de tornar esses idosos mais ativos para discordarem, aprovarem, demonstrarem seus sentimentos, se dispondo para transformar seus cotidianos, e transformar as concepções e atitudes dos mais jovens perante o processo natural de envelhecimento, além de prepará-los para a velhice. Logo, preparar para o envelhecer consiste em colaborar para que, no futuro, tenhamos idosos menos preconceituosos e que consigam vivenciar com menos sofrimento o processo de envelhecimento. Diante desses dados demográficos, das particularidades e novas descobertas referentes aos aspectos bio-fisiológicos, do surgimento de fatores psicológicos característicos do envelhecimento, gradualmente percebe-se que se torna necessária à preparação das novas gerações para um convívio saudável com essa outra etapa do desenvolvimento humano.”
O texto acima faz parte do trabalho de: Neusa Batista Eiras, Bianca Azevedo, Laura Cristina E.C.Soares, Luciana Paulino e Lucina V. da Silva, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, apresentado no 2º. Congresso Brasileiro de Extensão Universitária em Belo Horizonte em 2004.
Agora se discute esse tema em T&D! Qual a importância disso para a Área de Recursos Humanos, mais propriamente para Treinamento e Desenvolvimento?
Será o grande resgate? O somar a experiência à enorme ousadia do jovem, ao mutável mundo tecnológico, mudando ferramentas, alterando as práticas, mas sempre buscando os mesmos resultados, os positivos!
Não fará parte, talvez, do aprender a aprender a conviver com as diferenças? Ou apenas uma grande preocupação de agir em prol de uma verdade inexorável?
É, será este, realmente um assunto novo? Vamos ter que discutir!
Inês Restier é consultora em Treinamento Empresarial, Diretora da MICR – Consultoria e Treinamento Empresarial Ltda. e Coordenadora do Grupo TeD.
Contato:
micr@micr.com.br